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O papel cidadanizador do pastor

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Uma nação que impõe pesada carga tributária ao seu povo está fadada a terríveis conseqüências.  Em 1Rs 12 temos a prova desta realidade. Você pode clicar aqui para ler a passagem completa, caso ainda não a conheça.

Tudo aconteceu porque Salomão impôs tributos altíssimos para construir o templo e seu palácio e mais algumas cidades. Muita gente vivia às custa do rei, especialmente suas 700 esposas e 300 concubinas. Alguma semelhança com nossos governantes de hoje, com suas “esposas” e as “concubinas”?

Com a morte de Salomão, seu filho, Roboão assume o trono e a primeira coisa que o povo faz foi eleger um representante, Jeroboão, para que o representasse perante o novo rei numa audiência solicitando a redução da carga tributária.

Reunindo seus conselheiros, Roboão resolve seguir o pior deles, e a resposta: “meu dedo mínimo é mais grosso que os lombos de meu pai” – 1Rs 12.10, foi um desastre! O resultado foi a divisão no reino, onde Roboão levou a pior. Dos doze “estados” da federação, dez seguiram Jeroboão.  Se Roboão vivesse nos dias de hoje, deveria ter lido o Joelmir Beting, que diz acerca do modelo tributário brasileiro:

“Um sistema economicamente suicida, juridicamente caótico, politicamente covarde, socialmente perverso”.

Joelmir explica que por economicamente suicida significa que ao tributar pesadamente o consumo, impede que as pessoas comprem. Comprar, consumir, é o que faz um país crescer economicamente, que gera emprego e, por conseqüência, renda. O ICMS, imposto que cai sobre todo e qualquer produto que você compre, até uma bala de R$0,25, é o maior deles. De todos os impostos do Brasil, o ICMS representa 22%. Isto incentiva a informalidade e a sonegação.

Segundo Joelmir, só em São Paulo são mais de 500 mil advogados trabalhando para entender, traduzir e ajudar as empresas pagarem seus impostos, o que aumenta ainda mais o custo de tudo o que se produz. Exigi uma infinidade de fiscais, funcionários públicos, que recebem salários altíssimos pagos pelos contribuintes. E isto alimenta ainda uma rede de corrupção e criação de dificuldades para venda de facilidades.

A covardia política se dá pelo fato deles, os políticos, saberem de tudo isto e não tomam as providências necessárias. A crise mundial 2008/2009 provou isto. Foi a redução de impostos sobre carros e alguns outros bens que “salvou” o Brasil dela. As vendas não caíram, ao contrário, bateram recordes. As indústrias beneficiadas lucraram como nunca e quem pode, adquiriu um bem novo, melhor, mais econômico, ecologicamente correto, etc.

Agora veja a perversidade da forma de cobranças de impostos no Brasil. Quem deve pagar mais imposto, quem ganha 10 mil reais por mês ou quem ganha um salário mínimo? Óbvio que quem ganha mais deve pagar mais.

Na média, 35% do preço de um remédio é imposto. Se um remédio para pressão alta custa R$ 100,00 quer dizer que R$ 35,00 vão direto para o cofre do governo na forma de imposto. Se uma pessoa tem um salário de 10 mil reais ela paga o mesmo valor daquela que ganha R$ 550,00. Vamos fazer as contas?

 

  • Para quem ganha 10 mil, os 35 reais pagos em impostos representam uma carga de 0,35%
  • Para quem ganha 550, os 35 reais pagos em impostos representam uma carga de 6%


Quem pagou mais imposto, o “rico” que ganha 10 mil reais por mês ou o pobre que ganha um salário mínimo de 550 reais?

E a perversidade não para por ai. O professor Kyioshi Harada, publicou um artigo no site  Jus Navigandi onde diz que pelo fato dos impostos estarem escondidos nos preços finais, a carga é maior do que a divulgada. Ele diz:

“Na tributação por dentro, o valor do imposto é embutido  no preço da mercadoria ou do serviço. A alíquota do imposto  é aplicada sobre o preço reajustado pelo montante do imposto, isto é, o imposto  incide sobre si próprio. Por isso, a alíquota nominal do ICMS, por exemplo, de 18% equivalerá a uma alíquota real de 21,38%. A alíquota nominal de 25%, que incide sobre o consumo de energia elétrica, equivalerá a uma alíquota real de 33,35%”.

Mais um cachorrada covarde dos governantes brasileiros.

A revista Veja tem em seu site os seguintes números:
- De 1986 a 2006 a carga tributária aumentou em quase 60%.  Ou seja, o peso dos impostos foi aumentado e/ou novos impostos foram criados.
- Comparando com outros países, nossa carga supera a maior economia do mundo, os EEUU e do Japão, mas os serviços que recebemos em troca são comparáveis aos dos países mais pobres da África.

A cada ano aumenta o número de dias que trabalhamos para pagar os impostos. Em 2010 tudo que ganhamos até 27 de maio foi para pagar impostos. Funciona assim: especialista fazem as contas de quanto, em média, cada brasileiro ganha por dia. Somam quanto pagamos em imposto comprado a tudo que o governo arrecadou e chegam a conclusão de quantos dias são necessários para pagar os impostos. Neste 2010 foram necessários 147 dias. Em outras palavras, o governo levou 147 dias de salário de cada trabalhador.

Segundo o site Impostômetro, de 01/01/10 a 03/06/10, cada brasileiro, na média,  pagou mais de R$ 2600,00 em impostos. O problema não é pagar muito imposto. O problema é não receber a contrapartida do governo em serviços de saúde, educação, segurança, transporte, etc. Quem não se lembra da CPMF, que foi criada para acabar com o caos na saúde pública? Acabou? Não! Ao contrário, o que fizeram foi “desviar” os recursos arrecadados com a CPMF para outros fins e até hoje continua gente sem atendimento nos hospitais, gente morrendo por pura omissão de socorro de quem arrecada e não investe onde deveria.

Quantos tem consciência da CIDE, um imposto sobre combustíveis? Ele foi criado em 1998 e a previsão de arrecadação até 2003 daria e sobraria para pavimentar todas as rodovias brasileiras. Até 2003 tinha sido arrecadado cerca de 14 bilhões e, absolutamente, nem um único centavo havia sido investido nas estradas. E elas continuam esburacadas, gerando prejuízo e mortes. Só que existem os pedágios e o IPVA, o que tri-tributa o automóvel.
Na Argentina, um carro produzido no Brasil, mesmo com o custo de importação por parte de nuestros hermanos custa lá cerca de 8 mil reais mais barato. Como pode isto?

É papel sim de todo pastor cidadanizar suas ovelhas. Conclamo a você, pastor, que comece a tomar consciência destes fatos e catequize os membros de sua paróquia para que cobrem se seus eleitos, em especial os deputados e senadores, para mudarem este quadro.

Muito mais do que fazer política, ou pedir votos para este ou aquele candidato, pois não é este o papel do pastor, incentive a sua ovelha a escrever ou telefonar ao candidato ANTES da eleição e exigir que ele trabalhe por uma profunda e verdadeira reforma tributária.
Sabe o que eu vou fazer? Primeiro, escolher os meus candidatos. Vou declarar a ele meu voto, mas com a responsabilidade de que ele promova as reformas necessárias. Vou pregar sermões conscientizando minhas ovelhas disto. Não revelar a elas o meu candidato, mas deixar que elas, livre e democraticamente escolham quem elas acharem melhor, mas que façam o mesmo que eu.

Se cada um de nos agir assim, com honestidade, sairemos todos ganhando. Posso contar com você?

Última atualização ( Qui, 03 de Junho de 2010 12:50 ) Este artigo foi lido : 148 vezes  

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