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Quando o dinheiro vira um deus

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Como a teologia da prosperidade tem colocado um ídolo, um deus, no coração do cristão do século XX e XXI! Mais ainda, esta “teologia” tem tirado Cristo do centro, do trono da Igreja e colocado um deus: Mamom.

Em 2Co 4.4 Paulo afirma que o “deus deste século”  cegou o entendimento dos incrédulos. A afirmação mostra a capacidade que Satanás tem de obscurecer a mente das pessoas. Aliás, a palavra no original para cegou significa exatamente obscurecer, embotar. É como aquela situação em que uma pessoa está apaixonada por um bandido. Todo mundo vê a menos a “vitima” da paixão, que está cega.

 

Ao olharmos para Lc 16.13 vemos a advertência de Jesus, dizendo que não podemos servir a dois senhores: Deus e as riquezas, que no original é a palavra usada para personificar a riqueza em oposição a Deus. Em outras palavras, um ídolo, porém não um ídolo qualquer, mas que se opõe diretamente ao Senhor Deus, fazendo-lhe oposição ou conspirando para tomar o seu lugar.

A mesma passagem paralela de Lucas em Mateus, o contexto está explicitamente proibindo o cristão de acumular riqueza. “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso;  se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” – Mt 6.19-24.

Não obstante estas advertências da Bíblia, Ap 3.14-22 é clara em mostrar como a Igreja Cristã tem sido cegada por Satanás a ponto de entronizar Mamom e não apenas isto, colocando o Senhor Jesus para fora de suas portas.

As possibilidades de interpretação do Apocalipse, concernentes às sete cartas, permitem que entendamos estas igrejas como:

  1. As igrejas locais existentes na data em que João escreveu o livro – são cartas endereçadas àquelas igrejas especificamente. Sabemos que na ocasião em que o livro foi escrito, centenas de igrejas locais já existiam (em Coríntios, em Roma, em Jerusalém, em Antioquia...). Mas o Espírito Santo achou por bem escrever a estas sete.
  2. As igrejas locais em todos os tempos da história – ou seja, desde a ascensão de Cristo até hoje encontramos igrejas locais vivendo características iguais a uma ou a outra das destinatárias do livro profético do AT. E mesmo assim, é possível que numa mesma geração, uma igreja local no ano 346, ou em 1990 tenha vivenciado as mesmas experiências de uma, duas ou mais das relatadas em Apocalipse.
  3. Refere-se a eras, períodos, vividos pela Igreja desde a apostólica até a o dia da volta de Cristo. Se assim for, cada carta representa não uma igreja local, mas ao momento histórico em que a Igreja de Cristo em todo o mundo viveu e está vivendo.

Neste último caso temos uma linha cronológica que descreve as fases em que a Igreja de Cristo, ainda olhando pela ótica do autor de Apocalipse, passaria até a volta dele. Em outras palavras, as cartas descrevem profeticamente o que a Igreja estaria por experimentar em seus anos futuros.
Se cada carta representa uma era, a primeira refere-se ao período apostólico. A segunda ao período das perseguições. A terceira ao período das alianças com o mundo. A quarta, ao período das trevas espirituais. A quinta ao período das reformas e reavivamento. O sexto ao período do reavivamento missionário. O sétimo, ao período idólatra da prosperidade.

Há uma série de argumentos que poderíamos citar para corroborar esta corrente de interpretação.  A tabela abaixo é apenas um exercício e de modo algum deve ser tomada como estudo prevendo a volta de Cristo. Os números formam arredondados, é claro:

 

Igreja

Tempo

Duração

Período

Éfeso

1º Tempo

100 anos

Pentecostes até 100 d.C.

Esmirna

2º tempo

200 anos

De 100 até 300 d.C.

Pérgamo

3º tempo

200 anos

De 300 até 500 d.C.

Tiatira

4ºTempo

1000 anos

De 500 até 1500 d.C.

Sardes

5ºTempo

200 anos

De 1500 até 1700 d.C.

Filadélfia

6ºTempo

200 anos

De 1700 até 1900 d.C.

Laodicéia

7ºTempo

???

De 1900 até ???

Poderíamos assim dizer que esta última era da Igreja é a derradeira. Depois dela não virá outra, restando-nos apenas aguardar a volta do Senhor. Examinemos então as características da Igreja dos últimos tempos.

A Igreja contemporânea, se representada pela sétima do Apocalipse, Laodicéia, é aquela que não tem heresias como o maior problema. Na carta vemos que Jesus não critica este detalhe. Seu maior problema é a confiança em sua riqueza, a tal ponto de colocar Jesus para fora.  O cabeça da Igreja Laodicense não seria Cristo, mas Mamom.

Comentários
14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Em todas as cartas Jesus faz uma saudação especial. É claro que nesta saudação Ele já estava comunicando algo. Para Laodicéia o Senhor se apresenta como o princípio da criação. No original, a fonte da criação. Já seria uma forma de bater pesado na Evolução? Qual outra geração negou a Criação tão fortemente quanto a nossa? E o que mais pode representar a tentativa de colocar Deus para fora do que a negação de  Ele ser a fonte de tudo o que existe no universo?

15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! 16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
Veja que a crítica de Jesus é o meio-termo em que vive esta Igreja. Como disse, o problema maior dela não são as heresias. No contexto brasileiro temos experimentado um “avivamento” evangélico extraordinário, mas isto não se traduziu em piedade cristã. Não se prega heresias nas denominações, o que nos faz pensar que a Igreja hodierna é quente, no entanto, o Senhor Jesus não é o senhor desta Igreja. Mamom é o senhor dela.

17 pois dizes Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. 18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
Historiadores dizem que a cidade de Laodicéia sofreu um terrível terremoto, mas sua arrogância e confiança em suas riquezas a fizeram desprezar a ajuda de Roma. Tal qual a Igreja de hoje, que coloca a capacitação humana e a confiança nos bens materiais acima da dependência completa ao Senhor Jesus.

Numa certa visita pastoral que fiz a um membro ausente, a alegação dele foi falta de dinheiro para, sequer, pagar o ônibus. Resumindo minha longa conversa, disse que, às vezes, a falta de dinheiro nos faz experimentar o cuidado de Deus. Lembrei a ele que um dia tive que fazer uma viagem missionária e não contava com nenhum centavo para a volta. Fui assim mesmo, porque percebi a necessidade e porque desejava servir a Deus. Sem dizer uma única palavra, uma senhora veio e colocou em meu bolso um pedaço de papel. Ela disse: “isto é para você”. Agradeci e depois conferi que era mais que o suficiente para pagar a viagem de volta. A alegria que senti em saber que Deus não me decepcionaria não tem como ser expressada.

19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. 20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
Aqui é a prova maior de que esta Igreja não serve ao Senhor mas a Mamom. Jesus está do lado de fora. E se a Bíblia diz que Deus habita em nossos corações, que a Igreja são as pessoas e não os templos, Jesus não reina nos corações das pessoas desta Igreja. O que Jesus está dizendo aqui é que ele foi enxotado para fora e, de lá, chama em voz alta. A “casa” está cheia, mas ninguém ouve a voz dele. Talvez tanto pelo barulho que fazem quanto pelo descaso. Ouvem mas não atendem.

21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono. 22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
Jesus é de fato o rei dos Reis. A verdadeira prosperidade não é neste mundo, mas nos céus. A riqueza da terra é corroída pela traça, pela inflação, pela depreciação. Ela pode ser perdida. Mas a riqueza eterna não! Esta é garantida pelo próprio Senhor, que assinou o termo de garantia com seu próprio sangue. Você quer ser um vencedor? Não deixe que Mamom venha ocupar o lugar que é de Jesus. Se porventura Mamom já ocupou mais espaço do que devia, ouça a voz de Jesus, abra a porta do seu coração e deixe Jesus reinar em sua vida novamente.

O apóstolo Paulo adverte a Timóteo para não se deixar enganar amando o dinheiro – 1Tm 6.10. Ele diz que muitos que seguiram por este caminho se torturados com numerosas aflições conforme o sentido original do texto.

Se personificamos o dinheiro como um deus, Mamom, e se a Bíblia diz que Satanás, o deus deste século, se disfarça para parecer o verdadeiro Deus, não é de se admirar que tantos líderes importantes tenham fé sincera em que Mamom é Jesus.

Digo assim porque tenho ouvido os argumentos de alguns líderes importantes. Pessoas que outrora pregavam um evangelho destituído desta desgraça e hoje se enredaram nela. E é triste ver que eles acreditam piamente nisto.

Então, preciso encerrar com as palavras de Paulo:
Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas. Exorto-te, perante Deus, que preserva a vida de todas as coisas, e perante Cristo Jesus, que, diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão, que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém! Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida – 1Tm 6.11-19


Última atualização ( Qua, 26 de Maio de 2010 10:54 ) Este artigo foi lido : 124 vezes  

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